domingo, 27 de setembro de 2009

Várzeas do Tietê: Devastação de Biodiversidade de Mata Atlântica é verdade inconveniente


Novos tempos, velhas práticas. Assim pode-se definir a implatação do Parque Várzeas do Tietê, que importará a geografia e engenharia da capital, desconsiderando as caracteristicas regionais do Alto Tietê e todo o patrimônio natural e biodiversidade que ainda restam na região.

Alardeado como o ''maior'' parque linerar do mundo, o projeto que terá 75 km de extensão e 107 km² de área (desde a barragem da Penha, na Zona Leste da Capital até a cidade de Salesópolis, onde nasce o rio), é um grande atentado à Biodiversidade da região. 

Uma das estratégias manipulativas para ''facilitar'' a adesão ao parque tem sido o engodo da criação de 33 núcleos com equipamentos de esporte e lazer, para as cidades da Bacia do Alto Tietê: São Paulo, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Poá, Suzano, Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim e Salesópolis. 

O Projeto Várzeas do Tietê integra a estratégia tucana para enfiar goela abaixo o desmatamento e impermeabilização do solo realizado para criar ''Nova'' Marginal do Tietê, rumo à entrega e ao pedagiamento. A ideia de que o parque compensará os danos causados com a ampliação da Marginal e toda a impermeabilização é falsa, tendo isso ficado claro bem antes da conclusão , prevista para ainda este ano. Além disso, o parque significará avanço na destruição de importante área remascente de Mata Atlântica na região do Alto Tietê. 

Um dos mais importantes ecossistemas do planeta, a Mata Atlântica, que estende-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, contribui para a proteção e regulação do fluxo dos mananciais que abastecem as principais metrópoles do país, controlando o clima local, e garantindo a fertilidade do solo. Além disso, a Mata Atlântica abriga grande diversidade de espécies animais e vegetais, muitos deles existentes somente neste ecossistema e em iminente risco de extinção.

Fragmentada em alguns pontos remanescentes como o Alto Tietê, a Mata Atlântica segue num contínuo processo de destruição para dar lugar ao reflorestamento de espécies exóticas (eucalipto e pinus), a extração ilegal de palmitos, desaparecimento de sua flora e fauna por caçadores e o avanço de empreendimentos imobiliários.

É preciso romper com o pensamento de que a Mata Atlântica seja simplesmente um bem de consumo ou fonte para geração de riquezas e entender que a ação do homem reduziu a menos de 7% a extensão original da MA.

A Mata Atlântica tem sido devastada impiedosamente nas últims cinco décadas, dando lugar à exploração imobiliária, agrícola, reflorestamentos, etc. Mananciais de água paulatinamente têm sido degradados por esgotos industriais e doméstico, agrotóxicos, puluição difusa, etc. Tudo isso, justificado e ''natuzalizado'' pelo banquete do lucro fácil, desconsiderando o passivo ambiental para as futuras gerações.

Neste momento em que a biodiversidade está em xeque é fundamental informar à população sobre a importância de se conhecer a Mata Atlântica, sua bioversidade e seus ecossistemas para que se valorizae esse patrimônio. É urgente a reflexão sobre todas as ações humanas, pois ela deixará alcunhas para as futuras gerações.

É duro e anacrônico perceber que tais obras pouco se importam com as várzeas do rio e seus papéis, desconhecendo ou ignorando a relevância da vegetação na cidade, como forma de refrigeração. A ampliação da Marginal em três faixas, não resolverá o problema do trânsito na capital, mas sim ameniza temporariamente. Dentro de muito pouco a situação estará ainda pior, pois com mais de 6 milhões de carros em circulação nas ruas da capital, será embaraçoso encontrar saída efetiva para o transporte individual.

O crescimento da população da Região Metropolitana de São Paulo, a contínua impermeabilização do solo, e até obra de mais de R$ 1 bilhão para a ampliar o leito do rio, a construção de novos piscinões serão ineficazes para impedir um futuro catastrófico com grandes inundações nas marginais.

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